terça-feira, 12 de abril de 2016

C.caç.4141 os Gaviões


2 comentários:

  1. «ACONTECEM COISAS NA NOSSA VIDA QUE NUNCA ESQUECEMOS»
    O DIA MAIS ESPERADO CHEGOU, O DIA 9 DE ABRIL DE 1975»
    Felizmente o dia tão desejado chegou, o do nosso regresso à nossa PÁTRIA e ao nosso lar, esse dia chegou, chegou sim, foi no dia nove de Abril do ano de 1975, desembarcamos do avião em Lisboa eram dezoito horas, no mesmo local onde tinha embarcado para seguirmos para a guerra do Ultramar, onde fizemos a nossa comissão nos Dembos Norte de Angola no ano de 1973, só podemos sair da sala do aeroporto passadas várias horas, todos nós ansiosos para se vermos livres daquele filme onde tínhamos entrado no passado ano de 1973, quando saí, reparei que estavam uns táxis em frente á porta de saída, com a ânsia de me ver livre e longe daquele senário, não pensei duas vezes, dirigi-me a um taxista, perguntei se podia ir levar-me à minha aldeia à minha casa, a resposta foi, sim amigo vou e já, entra, não pensei em despedir-me dos meus irmãos, camaradas, amigos de guerra, eles também estavam loucos como eu para se verem dali para fora, andávamos todos numa correria louca para irmos para as nossas casas, já dentro do táxi, indiquei onde ficava a minha tão linda e desejada aldeia, o senhor foi muito atencioso, passou todo o percurso a fazer-me perguntas da minha comissão, o que me ajudou a passar os quilómetros mais depressa, para mim, mais parecia um sonho, a certa altura, reparei num edifício que reconheci e me chamou a atenção, era a Camara Municipal da minha linda CIDADE de LEIRIA, o meu coração começou a bater forte a querer saltar, desabafei com o senhor taxista dizendo, meu amigo, até que enfim, estou em casa e longe da guerra, agora sei que estou longe do avião que podia levar-me outra vez de regresso para lá, se quiser pode-me deixar aqui, considero-me em minha casa estando a dezassete quilómetros, a minha ânsia era enorme de me ver longe de tudo aquilo, o senhor pediu –me para me acalmar que me compreendia, ia fazer tudo para me ajudar, que me colocava nos braços da minha Querida mãe, assim fez, dali até à minha aldeia, e, à minha pobre mas linda casinha, foi um estante, ao chegarmos à entrada da minha aldeia as minhas lágrimas soltaram-se e chorei de alegria, ao chegar perto da minha casinha o senhor taxista levou o carro até junto da minha porta, já eram vinte e duas horas e trinta minutos, a minha mãe

    ResponderEliminar
  2. e toda a vizinhança já dormiam, não ouviram o barulho do motor do carro, o senhor antes de bater à porta da minha casa com as suas boas palavras e conselhos preparou-me, ele é que ia levar a minha mala da roupa e a entregava à minha mãe, pediu para eu ir ele para ver a reacção da minha mãe, avisando-me para eu ir com muita calma e não a abraçar pois ela podia correr sérios riscos fatais de emoção, como já tinha acontecido, tudo isso aconteceu, bateu à porta, a minha mãe abriu e perguntou o que é que dois homens queriam aquela hora, o senhor respondeu que vinha de Lisboa entregar-lhe aquela mala, era uma encomenda do filho, ela respondeu a chorar para irem embora, pois, o filhinho dela andava na guerra em Angola já à muito tempo, e, ainda não sabia quando ele regressava, o senhor taxista acalmando-a foi perguntando, o que é que ela fazia se ele um dia aparecesse ali com o filhinho dela, a minha mãe resposta imediatamente, meu senhor, dava tantos beijos e abraços ao meu querido filho, não o largava mais dos meus braços, ai meu senhor, tenho tantas saudades do meu querido filhinho, mas que Deus o proteja por lá e não mo matem, tragam-mo vivo, meu senhor não sei o que dizer.
    Eu muito ansioso para abraçar aquele tão sofrido corpo, daquela santa mulher que era a minha querida mãe, beijar aquele tão lindo rosto enrugado de tanto sofrer por mim, mas tinha que ter calma e saber esperar sofrendo, o senhor táxista foi preparando a minha mãe, dizendo que tinha passado por ali para lhe entregar a mala do filho dela pois ia levar aquele rapaz à aldeia dele, tinha chegado da guerra de Angola, talvez fosse parecido com o filho dela, para perguntar ao rapaz se o tinha encontrado por lá, a minha mãe respondeu logo, que o filho não era tão escuro e tão velho, e, tinha um pequeno sinal junto ao queixo, não ia perguntar nada aquele rapaz porque ele também estava ansioso para ir para junto da família dele, para irem embora e terem uma santa viagem, ao ver a minha mãe mais calma, o senhor respondeu, minha senhora… pergunte o nome a este rapaz e de onde ele é… ela com muita calma perguntou se eu tinha visto o filho dela, eu respondi, vi sim minha senhora, o meu nome é Manuel Lopes, sou seu FILHO MINHA QUERIDA MÃE, repare para mim, o tal sinal está aqui, caímos nos braços um do outro, fomos separados pelo bom amigo taxista, eu já não me lembrava da voz da minha mãe, nem ela da minha, foi difícil para ela aceitar a cor da minha pele, velha, enrugada e escura, queimada pelo clima dos Dembos Norte de Angola, esta minha verdadeira história é igual a todas as dos irmãos COMBATENTES do ultramar, pensei Escrever esta verdadeira história para mais tarde recordar.
    MANUEL LOPES «KAMBUTA dos DEMBOS»

    ResponderEliminar