quinta-feira, 12 de janeiro de 2017


1 comentário:

  1. Ninguém desce !
    A ordem era curta e seca.
    Sinceramente cá para os meus botões achava-a pouco lucida.
    Aquela ponte de madeira rangia e lá no fundo o leito do rio eram grandes blocos de pedra limados por séculos de agua que rápida se esgueirava rumo sabe-se lá para onde.
    No trajeto entre Malema e Mutuali a solidariedade imperava e os passageiros teriam que cair com o motorista se o desastre se desse.
    Naquele dia de rotina para verificar umas quantas armas não foi a ponte mais me marcou.
    A paisagem era frondosa e no morro por detrás da casa que servia de guarida a uns quantos companheiros lá destacados , macacos faziam algazarra e subiam pela encosta com destreza que fazia inveja ao vulgar humano.
    Mas na aldeia também havia grande alvoroço e sinais de preocupação.
    Indaguei o motivo da barulheira.
    Gafanhotos . Uma praga de gafanhotos ,
    Não tardou começarem a bater nas árvores e plantas á nossa volta.
    Um dos nossa camaradas Africanos não esteve com meias-medidas.
    Procurou pequenas pedras de depois de atar a manga do casaco da farda enfiou-os manga dentro.
    Fiquei a ver a cena sem entender o que dali viria.
    Pegou na extremidade da manga vazia e rodopiou o casaco que agora com o peso das pedras
    Na outra manga, ganhou velocidade de ventoinha e quando lhe pareceu suficiente largou-o.
    E lá foi o casaco pelo meio da nuvem de gafanhotos até talvez dezena e meia de metros.
    Quando regressou ao chão trazia pendurados meia dúzia de gafanhotos.
    Destino dos infelizes.
    Sem as patas traseiras asas e cabeças “voaram” um a um para o estômago do nosso camarada.
    Entre risadas talvez provocadas pela minha cara de espanto e de mão estendida ofereceu-me um pronto a “marchar”..
    Respondi rápido…come ..gosto mais de caju…
    Mutuali 1974

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